Hoje, quando acordei, ainda deitado, me veio na mente: Que história escreverei hoje? Não digo história de ficção, mas pessoal, do dia a dia. Hoje vejo minha vida como uma história que vai sendo escrita, cada dia um capítulo.
Como serão escritos esses capítulos? Qual a faixa etária? Qual o público-alvo? O que quero dizer com isso é o seguinte: imagine que alguém o acompanhe por todo o dia sem que você soubesse. Alguém que chore quando você chorar, que dá um sorriso quando você sorrir, que fique triste quando você ficar. Porque a sua história de vida o leva a sentir isso, enfim... Que esteja lhe acompanhando pelo longo dia, mas você nem toma ciência disso.
Então, o que você faz conta! Classificação: Classifiquei minha história para doze anos, pois meu drama não é tão complicado assim. Minha história, ao passo que vai sendo escrita, será compreendida e verão todo o entendimento e saberão que é plausível. Podem achar que é loucura, pensar assim, mas o que quero dizer é que viver vale a pena desde que se saiba o que será escrito. Que tipo de conduta você quer ter, que personagem vivenciará, ele será mau-caráter? Bonzinho, alegre, triste, mentiroso ou verdadeiro com as palavras?
A vida nos conduz a escrever cada um seu tema. Escrevemos no livro da vida o que queremos. Se imaginarmos que cada um de nós seja seu personagem principal em sua própria trama, então os demais são meramente coadjuvantes. Digo isso dentro do contexto da narrativa própria de cada um, pois, se analisarmos bem, somos também coadjuvantes na história de outras pessoas que nos cercam.
Mas o que quero dizer é que cada um pode escrever sua história pessoal, tipo: Qual o foco, qual o objetivo, onde quer chegar. No caminho para se alcançar tal fato vão sendo escritas narrativas paralelas, mas que de certa forma vão se agregando ao contexto pessoal de cada um.
Escreva sua história de vida de forma legível, pois nela não há papel nem borracha, onde, havendo um erro, não se pode simplesmente apagar e pronto, isso se faz na ficção. Na realidade, quando se tenta apagar um erro escrito de forma errada, sempre ficarão marcados naquele dia os estragos da página, estragos que dependendo dos fatos podem marcar uma vida.
Hoje escrevo a minha numa coerência, em uma verdade, pois os leitores estão sempre em minha volta e detalhe, até participam e opinam, dão sugestões e muito mais. É aí que tudo pode desabar e a história tomar outro rumo. Manter sempre a verdade dos fatos, da narrativa própria de cada um, permite ter a clareza do que está sendo feito. Mas quando a decisão de escrever linhas tortas, mentir e levar isso como se fosse uma verdade, fará com que o autor dessa trama fique perdido em suas próprias narrativas.
Levar uma mentira como se fosse a verdade para a vida toda é suicídio mental. Não terá sustentação nem estrutura pra suportar o retorno e o estrago que isso pode causar.
Que livro de vida você está escrevendo, que legado você vai deixar?
Me lembro de uma situação ocorrida no Leme, onde um garoto de doze anos trocava tiros com policiais e acabou morrendo. Isso me rendeu um livro com o título:
“Vida. Valorize essa existência”.
Onde falo algo parecido. Aquele garoto estava ainda no seu esboço, nas suas primeiras páginas escritas e decidiu escrever de outra forma. Um livro que podia ter tantas páginas, e tudo foi finalizado ali naquele momento, arriscando tudo por nada.
Outra história escrita de forma diferente foi a do “resgate do soldado Ryan” onde o capitão John Miller recebeu a missão de resgatar o soldado James Ryan. John Miller decidiu arriscar sua própria vida para trazer de volta o soldado. Tenho certeza de que ele jamais em sua mente poderia imaginar que estava escrevendo uma linda história. História que seria conhecida por milhões de pessoas. O que mais me comoveu foi quando ele disse em seu leito de morte ao soldado:
“Faça valer a pena”.
Que livro de vida você está escrevendo?
Eu sei da minha história e sei o que quero para mim. Diante dos fatos, o dia a dia vai me dando os textos e vou fazendo o meu melhor, pois sou um ator da vida real, e no final da leitura, quando o livro já estiver sendo finalizado, cada um poderá rever e analisar se valeu a pena escrever a história da forma como foi escrita.
Hoje eu acordei e isso me veio à mente. O que escreverei hoje, como será o meu dia.
Bom, não importa como vai ser, mas vou fazer com que seja escrito da melhor forma possível.
Vou fazer valer a pena.
Faça você também valer a pena o seu dia!
Nas artes cênicas, atuou em grandes espetáculos tais como: “O Círculo de Giz Caucasiano” de Bertold Brecht - “O Homem Imortal” de Luiz Alberto de Abreu – “Rei Lear e Comédia dos erros” de W. Shakespeare, entre outros. Participou de produções teatrais nas peças: “A Família Addms” de Cássia Barros e “O Presidente exige mais bonecos” de Kadu Pinheiro e renomados festivais de teatro como “Isnard Azevedo” em Florianópolis.
Fez grandes cenários para Cia de Dança “Jaime Arouxa” e curtas para cinema, entre eles: “Por dentro de uma gota d’água” de Felipe Bragança e Marina Meliande, onde fez cenografia com Clara Meliande e Gustavo Bragança; - “Crianças” de Pedro Modesto e “Um dia, Um Jardim” de Mônica Brito. Como design, fez um belíssimo troféu para premiação de melhores atores teatrais no ano de 2001.
30 setembro 2010
Que Livro de Vida Você Está Escrevendo?

Guilherme Jaber é Ator, Escritor. Nascido em Minas Gerais, na pequena cidade de Patrocínio, que pertence a mesorregião do Triângulo Mineiro - Alto Paranaíba - de onde saiu pequeno para a grande metrópole do Rio de Janeiro.
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