De repente, me vi autor de minhas próprias palavras, e não ator das palavras alheias. Nem sei se posso dizer que é uma profissão, pois retorno só se for pelo prazer da obra realizada, mas a verdade é que me tornei autor da minha própria solidão. Ser o que sou, viver o que vivo, sentir o que sinto, escrever o que escrevo... somente meu universo mental pode entender a caligrafia que o coração expressa.
Cada história, cada narrativa, me leva a mundos imaginários, que acabo misturando a ficção com minha realidade. Meus escritos são assim mesmo: cada livro meu de ficção sempre leva um pouco da minha realidade. Hoje, trilho um caminho incerto e solitário. Tenho saudade, sim, nunca sinto saudade no plural, apenas saudade. Saudade dos palcos, dos amigos, dos sonhos que se passaram, das risadas, da inocência.
Que vontade de rir descompromissadamente — palavra comprida, mas que tem um significado bom —, mas confesso que não tenho muitos motivos para tanto riso. Meu futuro roubou partes dos meus sonhos que ainda estavam no passado presente.
Hoje me encontro aqui reclamando minha parte que não me permitiram ter ou conquistar. Minha luta é diária, sofrida e calada, mas quando se sabe realmente o que quer, não importa o trajeto, e sim a disposição que será dada na conquista do alvo focado. Me sinto cansado depois de tantas lutas para provar meu verdadeiro valor. Desci dos palcos, meu personagem se calou, a maquiagem foi removida, o figurino guardado. Somente a caneta me sobrou, e é com ela que vou expressando todo o sentimento que tenho guardado dentro de mim, é com ela que vou narrando em verdades minha história. História verídica. Meu personagem não fala mais, somente escreve, com erros ou não, será assim até o fim de meus dias.
Vou escrever o que sempre quis, vou falar da forma que achar que devo. Mas a minha vivência, essa não. Essa será narrada como realmente aconteceu. Todos se lembrarão desse meu personagem, não pelo que ele fez nos palcos, mas sim pelo que ele escreveu, e ainda vai escrever.
A minha realidade será mais um livro de ficção para você que leu ou vai ler, ou até apreciar meus escritos, porque digo e repito com convicção: Meu futuro é hoje. Agora. Não é amanhã como pensava. Nunca é depois como imaginei. Só me restou uma caneta e vou saber usá-la até o fim de meus dias.

Guilherme Jaber é Ator, Escritor. Nascido em Minas Gerais, na pequena cidade de Patrocínio, que pertence a mesorregião do Triângulo Mineiro - Alto Paranaíba - de onde saiu pequeno para a grande metrópole do Rio de Janeiro.
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