Foto Paulo Nicolella
O carioca enfrentou ontem um verdadeiro pulgatório no trânsito e assistiu a cenas inusitadas no seu deslocamento pela cidade. Quem tentou chegar ao centro logo pela manhã se deparou com uma manifestação de cerca de cinco mil pessoas, a maioria mulheres que, peitos a mostra estavam dispostas a alertar para o mau uso dos bens da natureza. Exigiam respeito a seus direitos e bradavam: " A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito." Mais tarde, munidos de arco e flecha, centenas de índios fecharam pistas do aterro do Flamengo para protestar e depois seguiram para a sede do BNDES. Contrários aos investimentos feitos pelo banco em grandes projetos na Amazõnia, como a usina de Belo Monte, os índios tomaram os jardins do BNDES e assustaram os seguranças. Acabaram sendo recebidos mais tarde pelo vice-presidente do BNDES João Carlos Ferraz. Mas não bastasse toda essa movimentação pela manhã, a tarde, ambientalistas e populares que protestavam contra o Código Florestal fecharamfecharam as pistas da Avenida Rio Branco. Enquanto isso, no Riocentro, diplomatas tentavam dar uma forma final ao documento que deve ser apresentado aos chefes de Estado e governo apartir de amanhã. As negociações entraram pela noite adentro sem que se conseguisse colocar um ponto final no texto, como queria, como queria o Brasil. Os europeus pressionaram para incluir metas e prazos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). a (boa) novidade é que o orgão de meio ambiente das Nações Unidas, o Pnuma, deverá ser fortalecido, embora não vire uma agência, como defendiam alguns. O documento também mostra que o tema da agricultura familiar simplesmente desapareceu dos parágrafos. As florestas também ficaram sem ações que garantam sua restauração ou recuperação. O texto sugere apenas esforços para atingir a admisnistração sustentável dessas areas. Ou seja, mais vago impossível. no rame-rame da diplomacia, muito se perde. Só é indispensável mesmo é ganhar em paciência para enfrentar o tumulto das ruas.

Guilherme Jaber é Ator, Escritor. Nascido em Minas Gerais, na pequena cidade de Patrocínio, que pertence a mesorregião do Triângulo Mineiro - Alto Paranaíba - de onde saiu pequeno para a grande metrópole do Rio de Janeiro.
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