Os 870 milhões de pessoas que passam fome no mundo poderiam ser alimentados com toneladas de comida desperdiçadas diariamente
Redação| Arte: Edi Edson
Com o slogan “Pensar. Comer. Preservar. Diga não ao Desperdício”, a campanha global lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) chama a atenção, em tom de urgência, para um número alarmante: 1,3 bilhão de toneladas de alimentos próprios para consumo são descartados por ano no mundo. Ao mesmo tempo em que a fome é o maior risco para a saúde e mata mais do que a soma das mortes por doenças como aids, tuberculose e malária.
Contando apenas as regiões industrializadas, a FAO calcula que quase metade da comida descartada poderia ser consumida, o que significa que são jogados no lixo cerca de 300 milhões de toneladas, o suficiente para alimentar os 870 milhões de pessoas do mundo que passam fome atualmente. A situação é vista em todos os continentes, inclusive no Brasil, mas o cenário é dramático em regiões da África e da Ásia.
“Em um mundo com uma população de 7 bilhões de pessoas, que deve chegar a 9 bilhões até 2050, o desperdício de alimento não faz sentido, seja do ponto de vista econômico, ambiental ou ético”, afirma o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, que alerta para o problema em todo o processo para o fornecimento de alimentos.
“Além da perda de produção, são desperdiçados também recursos como água, terras cultiváveis, insumos agrícolas e tempo de trabalho. Para termos uma vida verdadeiramente sustentável, precisamos transformar a maneira como produzimos nossos alimentos”, reclama Steiner.
Em relatório da FAO fechado no fim do ano passado, países como Eritreia, Etiópia, Zâmbia e Moçambique têm mais de 35% da população subnutrida. Em vários países da África e da Ásia, boa parte da população não tem acesso à água potável, como 50% da população da Mauritânia e do Afeganistão.
O Brasil é visto como um exemplo por ter reduzido em 40,4% o número de desnutridos, que era de 23 milhões de pessoas há 10 anos. No entanto, 13 milhões de brasileiros ainda passam fome, conforme estudo feito pela FAO entre 2010 e 2012. A desnutrição no Brasil é considerada moderadamente baixa (entre 5 a 14%), mas ainda está atrás de países como Argentina, Chile e Venezuela.
“Se as perdas durante colheita, estocagem e transporte de alimentos forem reduzidas, e se fizermos alterações profundas na maneira como as pessoas compram comida, poderemos ter um mundo mais saudável e sem pessoas com fome”, acredita o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, que obteve sucesso ao trabalhar com o tema e implementar o Programa Fome Zero, em 2001.
A experiência desenvolvida recentemente no Brasil é usada para treinar e auxiliar governos interessados em políticas de redução da fome. Para a questão do desperdício, o Brasil prepara uma ação a partir do segundo semestre deste ano, a cargo do Pnuma, para incentivar a campanha global “Pensar.Comer. Preservar. Diga não ao Desperdício”.
Antes de a ação governamental entrar em vigor, a Folha Universal já reuniu dicas para produtores e consumidores de como diminuir o desperdício de alimento, com atitudes que ajudam não só a população mundial como também para uma alimentação mais saudável. (Confira as dicas espalhadas pela página)
“Cascas, talo, sementes e entrecascas têm de três a 20 vezes mais nutrientes do que habitualmente se consome dos alimentos. As pessoas jogam fora saúde e muitas vezes buscam fórmulas químicas para suplementar essas partes dispensadas. O aproveitamento integral do alimento é possível, saudável, econômico, bom para o meio ambiente e ainda gostoso”, diz a coordenadora de Nutrição da ONG Banco de Alimentos, Camila Kneip. “Não existe lixo na cozinha, pelo menos na parte de alimento. Eu só não sei o que fazer com a coroa do abacaxi, mas ela ainda serve para decorar ou replantar.”
Além de novas atitudes na produção e no consumo de alimentos, comerciantes, restaurantes e hotéis têm papel importante para auxiliar na redução do desperdício. Mudanças simples, como colocar displays inteligentes, facilitar o acesso a produtos que estejam próximos de ter a validade vencida ou criar ofertas para esses produtos, já são suficientes.
A criação de porções menores para oferecer aos clientes, campanhas de conscientização com funcionários e metas de redução do desperdício são outros exemplos fáceis de serem seguidos.
Quem vende alimento pode ainda doar, antes de o produto estragar ou vencer, por meio de parcerias com instituições de caridade da própria região ou de organizações não governamentais como a Banco de Alimentos. “Quando os comerciantes se tornam doadores e passam a valorizar os alimentos, acabam acertando mais no controle e já diminuem o desperdício”, diz Camila Kneip com base em resultados que costumam aparecer em trabalhos de parceria da ONG com comerciantes e indústrias.







Guilherme Jaber é Ator, Escritor. Nascido em Minas Gerais, na pequena cidade de Patrocínio, que pertence a mesorregião do Triângulo Mineiro - Alto Paranaíba - de onde saiu pequeno para a grande metrópole do Rio de Janeiro.
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